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Sua origem é conhecida há anos. Sem dúvida, milhares de pessoas em todo o mundo continuam morrendo em decorrência dessa enfermidade. No Brasil, conforme os dados do Ministério da Saúde, muitos trabalhadores correm o risco de desenvolver a doença, uma enfermidade debilitante, irreversível e às vezes, fatal.

O número de trabalhadores potencialmente expostos, segundo o Ministério da Saúde, é superior a seis milhões, sendo quatro milhões, aproximadamente, somente na construção civil. No setor da mineração, fundições, cerâmicas, indústria de vidro, mais uns dois milhões de trabalhadores. Nos casos diagnosticados e registrados no Ministério do Trabalho, o estado de Minas Gerais ocupa lugar de destaque, seguida pelo estado da Bahia.

A Silicose é uma doença fibrônica, de evolução lenta e que provoca insuficiência pulmonar.

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A Silicose é gerada pela inalação de pós de silicato ou partículas de sílica cristalizada, o componente principal da areia. Bastante abundante na natureza, pois compõe 60% da crosta terrestre, a Sílica é um material insolúvel e considerada a menos reativa entre as substâncias químicas naturais.

Já em 1974 o NIOSH (National Institute for Occupacional Safety and Health recomendava a proibição dos jateamentos com o uso da areia em decorrência da presença sílica. Na Grã-Bretanha a prática é declarada ilegal desde 1949.

No Brasil, conforme a NR15 (Portaria SIT nº 99 de 19 de outubro de 2004 “Fica proibido o processo de trabalho de jateamento que utilize areia seca ou úmida como abrasivo”.

Em que pese todas as recomendações e proibições, cremos que ainda haja situações em que a areia esteja sendo usada em clara desobediência à recomendação relacionada com o emprego de granalha nos trabalhos de jateamento.

Os trabalhadores de empresas que ainda utilizam a areia como agente abrasivo estão correndo um sério risco.

O jateamento, como sabemos, é frequentemente empregado para eliminar as irregularidades da superfície de peças fundidas, velhas pinturas de superfícies metálicas etc. O uso da areia como agente faz com que ela se fragmente em partículas muito pequenas e leves, proporcionando maior tempo de suspensão no ar. A ocorrência facilita a inalação dessas partículas pelo trabalhador, fazendo com que significativo volume delas fique aprisionado no trato respiratório.

É bem possível que grande parte dos trabalhadores não use a proteção respiratória de forma adequada. Alguns, talvez, estejam trabalhando até mesmo sem nenhuma proteção.

Uma vez que as partículas de sílica ingressam nos pulmões, e vão se acumulando imperceptivelmente, com o tempo dos tecidos do órgão dão início à formação de nódulos que acabam aumentando de tamanho com a progressão da doença, fazendo com que a respiração fique cada vez mais difícil.

Entre as manifestações da silicose estão o comportamento ofegante, decorrente do esforço físico para respirar, e a febre.

O diagnóstico da enfermidade é obtido com base na presença desses sintomas, somados aos resultados obtidos nas avaliações de radiografias dos danos pulmonares causados pela presença de partículas.

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CRÔNICA – considerada a mais comum, que decorre da exposição a concentrações baixas de poeira ao longo de um tempo médio de 10 a 20 anos;

ACELERADA ou SUBAGUDA – forma em que a doença se manifesta em tempo mais reduzido, entre cinco e dez anos, com evolução para fases mais graves, muito comum no nordeste brasileiro entre os cavadores de poços;

AGUDA – citada como mais rara, decorrente da exposição severa à sílica livre, em concentrações mais elevadas, comuns nos trabalhos de jateamento com areia e nos trabalhos de britagem. Sua manifestação ocorre em tempo extremamente curto em se comparando com as outras formas da doença: de poucos meses até quatro ou cinco anos.

O referido trabalho é rico em detalhes, razão pela qual desperta o interesse merecido.

Devido aos altos riscos gerados pelo uso de areia na atividade, representa uma alerta para as empresas que, baseadas nas reais dificuldades que a fiscalização encontra, teimam em não substituí-la por materiais que ofereçam menos riscos. É bem possível que ainda se encontrem trabalhos realizados a céu aberto.

Ocupações Susceptíveis a Exposição

  • Construção
  • Mineração
  • Jateamento
  • Alvenaria
  • Demolição
  • Fabricação de produtos de vidro e metal
  • Encanamento
  • Pintura

Medidas de precaução reduzem os riscos

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Nos casos em que empregadores ainda não substituíram a areia pela granalha, a adoção de algumas medidas poderia representar a necessária precaução contra o crescimento da doença no país:

– Os trabalhadores devem manter adequadas práticas de higiene pessoal para evitar os malefícios da indesejada exposição. Devem lavar as mãos antes de comer, beber ou fumar; não devem comer ou fumar no local de trabalho;

– Devem utilizar roupas de proteção descartáveis ou laváveis. Trocar de roupa antes de deixar o local de trabalho. O ar no ambiente deve ser monitorado frequentemente para possibilitar o conhecimento do nível de exposição ao qual está submetido o trabalhador;

– No caso dos níveis de exposição estarem acima dos limites recomendados pela NR15, equipamentos de proteção respiratória adequados, devem ser utilizados. A inspeção, manutenção e higienização dos referidos EPIs devem ser feitas de acordo com a NR6;

– Os treinamentos para o perfeito uso dos EPIs devem ser também ministrados;

– Aos trabalhadores que estejam potencialmente expostos, a assistência médica é indispensável, assim como os exames de raios X;

– As áreas empoeiradas com sílica devem ser demarcadas e sinalizadas com avisos de advertência;

– Os trabalhadores devem ser conscientizados sobre os riscos da exposição à sílica e sobre seus efeitos no organismo.

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O ar atmosférico contém uma concentração de 21% de oxigênio, necessário para que possamos sobreviver. Mas em muitos espaços confinados, esse gás não chega a essa porcentagem, ou até ultrapassam, e pode ser muito perigoso.

Quando o oxigênio tem sua concentração reduzida nos espaços confinados, pode causar a formação de ferrugem ou até mesmo o crescimento de bactérias e lodo. Além disso, outros gases podem ocupar o espaço e consumir o oxigênio.

Mas que existem muitos riscos em espaços confinados, todos já sabem. O que nem todos sabem é que um dos maiores riscos que existem e que causa o maior número de acidentes são os gases que se acumulam, devido à pouca ventilação destas áreas, podendo causar danos à saúde do trabalhador.

Estes gases perigosos estão presentes com frequência nesses espaços confinados, nas mais diversas atividades. Por isso, todo cuidado é pouco. É preciso conhecê-los bem para sabermos como podemos nos prevenir.

Gases Tóxicos

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O sulfeto de hidrogênio e o monóxido de carbono são os gases mais letais que podem estar presentes em espaço confinados, além de outros gases. Eles estão presentes em esgotos, matéria em decomposição, vazamentos ou descartes de químicos, como subprodutos de processos industriais.

O sulfeto de hidrogênio é invisível e possui um odor muito forte, como de ovos podres. Pode acontecer de ele destruir o seu olfato, caso a concentração seja muito alta, tornando-o imperceptível, podendo levar à morte em poucos segundos.

Pequenas concentrações do sulfeto de hidrogênio podem causar irritações aos olhos, nariz, garganta e sistema respiratório. A sensação é de queimação nos olhos, lacrimação, falta de ar e tosse, podendo levar horas ou até mesmo dias para passar.

O monóxido de carbono é incolor e inodoro. Ele é produzido através de queimas incompletas de materiais que contenham carbono em decomposição, como gasolina, gás natural, madeira e propano. Ele pode ser letal até mesmo em concentrações muito pequenas, de 1% ou até menos.

Por causa de sua alta toxicidade, o monóxido de carbono ganhou o apelido de “assassino silencioso”. Ele possui densidade próxima à do ar atmosférico e tende a se distribuir uniformemente pelo ambiente. A única forma de detectar sua presença é através de testes com detectores de gases.

Asfixiantes Simples

Podemos classificar gases como asfixiantes simples aqueles que não são tóxicos, o que significa que o risco da presença deles está na redução de oxigênio no ambiente. Em baixas concentrações, eles apresentam características inflamáveis e não são tão perigosos.

Se há uma concentração muito alta destes gases é porque existe uma concentração menor de todos os outros, já que o asfixiante simples está ocupando muito espaço no ambiente. Com essa redução de outros gases, o oxigênio também é reduzido, causando a asfixia.

Em geral, qualquer gás não tóxico em alta concentração no ambiente, pode ser considerado um asfixiante simples. Um exemplo é o gás Metano, que é muito encontrado em espaços confinados.

Asfixiantes Químicos

Ao contrário dos asfixiantes simples, os tóxicos agem reduzindo a capacidade do nosso organismo de absorver o oxigênio disponível no ambiente. A sua presença também significa uma redução da concentração de outros gases, incluindo o oxigênio, mas não é a principal forma que asfixiantes químicos atuam, já que não é necessário haver uma redução de oxigênio para causar a asfixia.

O asfixiante químico atua diretamente no organismo, reduzindo a capacidade bioquímica do oxigênio, afetando o transporte do mesmo no organismo pela hemoglobina. O oxigênio continua presente, mas sem conseguir disponibilizá-lo para os tecidos.

Gases Irritantes

Os gases irritantes são bastante agressivos, como o próprio nome já diz. Eles causam danos principalmente aos olhos, e em altas concentrações agridem também a pele, podendo causar queimaduras químicas.

Eles também podem causar edemas nas vias respiratórias e olhos, com gravidade variável, de acordo com o nível de exposição e agressividade de cada gás. Não são necessárias grandes concentrações para gerar grandes consequências. Eles são facilmente percebidos por causarem irritações.

O odor ou a irritação não podem ser considerados como formas de detecção válidas para prevenção, já que alguns destes gases só são detectáveis em concentrações muito altas, além dos limites de exposição permissíveis. Um bom exemplo de gás irritante é o amoníaco.

Amoníaco

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O gás amoníaco ou gás amônia é muito utilizado em sistemas de refrigeração, apresentando-se em forma de líquido ou gás incolor, livre de impurezas e com graus de pureza iguais ou acima de 99,95%.

A amônia não é considerada “venenosa”, mas os efeitos da exposição deste gás são limitados à irritação e aos danos corrosivos que ele causa, que são muito severos. É um gás bastante corrosivo e irritante e afeta principalmente os olhos, pulmões e pele.

Nos olhos, podem causar pequenas irritações até a destruição dos olhos, dependendo do tipo da explosão ao gás ou spray de vazamento de amônia. Ela tem um alto poder de penetração nos olhos e age muito rapidamente.

Já nos pulmões, ela destrói os tecidos do trato respiratório. A exposição ao vapor de amônia pode causar crises fortes de tosses, respiração dificultada ou dolorosa, congestão pulmonar e até mesmo a morte.

Na pele, pode variar muito com o tempo de exposição e da concentração, podendo variar entre leves irritações até graves queimaduras químicas. Essas concentrações de amônia, quando inaladas, são letais.

Metano

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O metano é considerado um asfixiante simples e seus principais riscos são a redução de disponibilidade de oxigênio e o fato de ser um gás extremamente inflamável. Qualquer fonte de faísca pode causar uma grande explosão, caso o metano esteja presente.

Além da sua alta inflamabilidade, a exposição do metano pode causar sonolência e leva o trabalhador à perda de consciência, tornando o risco ainda maior para a saúde de quem é exposto a esse gás. Ele é mais leve que o ar e tende a se concentrar nos níveis superiores dos ambientes.

Como prevenir esses tipos de acidentes nos espaços confinados?

Para evitar acidentes de trabalho com vazamento de gases, é importante que os procedimentos de segurança sejam sempre seguidos à risca. Todos os trabalhadores devem receber treinamento para trabalhar em espaços confinados, conforme a NR 33. Confira alguns procedimentos padrões:

  • É muito importante avaliar a atmosfera antes de entrar em um espaço confinado. As medições são realizadas em vários níveis do ambiente, devido as diferentes profundidades que contém diferentes concentrações de gases. Gases mais leves, por exemplo, se concentram na área superior, já os mais pesados, na área inferior. Os que possuem densidade próxima ao ar atmosférico, ficam distribuídos em todos os níveis de profundidade.
  • É preciso monitorar continuamente a atmosfera, onde há atividades de trabalho. É preciso verificar se as condições de permanência e acesso ao espaço confinado são seguras.
  • O espaço confinado precisa de uma segurança atmosférica, onde haja ventilação no ambiente e sendo sempre monitorada com equipamentos adequados. É preciso verificar durante toda a execução dos serviços para garantir a segurança do trabalhador.
  • Em hipótese alguma use insuflador como exaustor, sugando gases tóxicos para fora. Assim, você pode continuar puxando outros gases tóxicas de outras regiões do espaço confinado para a área que será realizada o serviço.
  • Sempre use equipamentos de segurança em perfeito estado de conservação nos espaços confinados, e use apenas para o fim que foram projetados.
  • É extremamente importante seguir todos os procedimentos de segurança durante a realização dos trabalhos em espaços confinados, de acordo com a NR 33. Essa norma existe para proteger os trabalhadores.

Conclusão

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São inúmeros gases que podem existir em espaços confinados, sendo praticamente impossível saber quais estão realmente presentes e qual é a concentração deles, se não for realizado as medições.

Esses gases podem ser subprodutos de atividades anteriores nestes espaços, podendo ser gerados durante a decomposição de materiais estocados ou simplesmente entraram no ambiente e permaneceram. Todos eles têm a facilidade de atingir concentrações perigosas dentro de espaços confinados, devido à ventilação insuficiente.

Independente do resultado, esse é um procedimento de segurança obrigatório definido pela NR 33 que precisa ser seguido à risca. É válido lembrar que alguns acidentes de trabalho são moderados e outros muito graves, mas grande parte pode ser evitado.

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Existem substâncias inflamáveis não só na forma líquida ou gasosa. Também existem partículas sólidas, como poeiras e fibras que, ao se combinarem com o oxigênio, podem acabar formando uma mistura explosiva.

Muitos pós que possuem essa característica explosiva ainda são desconhecidos, tornando-os ainda mais perigosos que as substâncias líquidas ou gasosas, como a gasolina, álcool ou gás de cozinha.

Os ambientes mais comuns são pólos industriais onde há produção e armazenamento de cereais, fabricação de ração e armazenagem de grãos, além de outros. Essas explosões causadas por poeira já deixaram diversas vítimas em diversas partes do mundo, além dos danos causados nos patrimônios.

Cerca de 80% de todos os tipos de poeira industriais são combustíveis e são capazes de causar uma explosão se estiverem suspensas, em forma de pó fino ou poeira no ar ou em qualquer outra atmosfera comburente.

Materiais orgânicos como farinha, açúcar, amido e produtos farmacêuticos na forma de pó fino ou poeiras representam um grande risco de explosão. Além disso, metais em pó como alumínio ou magnésio também representam esse risco.

Quais são os riscos de explosão a partir de poeiras combustíveis?

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Os riscos de explosões são bem semelhantes ao que acontece com os combustíveis líquidos e gases inflamáveis. O pó ou a poeira combustível misturado com o ar, na presença de uma fonte de ignição pode provocar explosões.

Porém, as características são diferentes das explosões de líquidos e gases e em alguns casos, os efeitos podem ser muito mais graves e devastadores. Por exemplo, se uma mistura de gás e ar é inflamada, a força da explosão faz com que a nuvem de gás se dissipe rapidamente, diminuindo sua concentração.

Já com a poeira combustível, a situação é diferente. Se essa mistura é inflamada, a partir da primeira explosão, várias outras irão ocorrer devido ao movimento do material em forma de pó, que formarão novas nuvens de poeiras suspensas na atmosfera. Ou seja, são várias explosões em série, com a intensidade suficiente para romper peças de máquinas ou instalações dentro de edifícios, que criam nuvens maiores, causando explosões secundárias.

Qual é a concentração mínima para que exista explosão?

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Para existir riscos de explosões em ambientes onde estejam concentrados os produtos inflamáveis em forma de poeira, é preciso de partículas menores que 1mm, o que não costuma ser raro em indústrias de processamento. Quanto mais fino é o pó, mais violenta é a explosão.

Essa concentração mínima também depende da granulometria, da energia mínima de ignição, da presença de oxigênio no ar e que esteja dentro de um ambiente confinado, onde é necessário para se obter as concentrações ideias, tanto do combustível quanto do comburente.

As poeiras também possuem um parâmetro de concentração com o ar, como os gases, que determina os limites inferiores e superiores de inflamabilidade. O limite inferior de inflamabilidade dos pós-industriais se situa numa faixa de 20 a 60 g/m³, nas mesmas condições ambientais de pressão e temperatura.

As poeiras também podem ser inflamadas estando suspensas no ar, na forma de nuvem, formando uma mistura de poeira-ar, ou através do acúmulo de poeiras no local de trabalho, depositada em pisos, elevadores, túneis e transportadores ao longo do tempo.

No caso de poeiras acumuladas, quando são aquecidas até o ponto de liberação de gases de combustão, poderão se inflamar com o auxílio de uma fonte de ignição. Quando esse pó se acumula sobre uma superfície aquecida, essa camada começa a se desidratar, iniciando um processo de combustão passiva ou sem chama.

Caso a poeira tenha características de isolante térmica, ela retém calor e a temperatura de combustão sem chama diminui, aumentando o risco de explosão. Basta apenas que haja uma movimentação do ar próximo ao local que esteja acontecendo o fenômeno para que uma chama se manifeste e então inicie um incêndio ou uma onda de choque, podendo levantar a poeira depositada em outros locais.

Os danos causados por poeira combustível

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A formação de nuvens explosivas é um dos principais problemas não só para indústrias que acumulam poeiras. A presença dessas substâncias inflamáveis ou combustíveis também é muito perigosa para atividades industriais que, em qualquer etapa, apresenta produtos em forma de pó.

Esses processos que envolvem substâncias inflamáveis ou combustíveis, apresentam um alto grau de risco de acidentes. Sendo assim, precisam de um acompanhamento muito mais próximo e análises muito mais cuidadosas, através de procedimentos operacionais de segurança.

Apesar da grande importância da agroindústria para a economia brasileira, que gera muita renda e emprego, estes trabalhadores não possuem tanto conhecimento sobre substâncias que podem causar explosões, como o processamento de farinha ou trigo, por exemplo, que pode ser tão perigoso quanto empresas que processam gás natural.

Além disso, a divulgação de acidentes do tipo é bem baixa. Por isso, é muito importante que políticas governamentais de segurança sejam implementadas para regulamentar a operações de indústrias ligadas à produção de substâncias explosivas em forma de pó e cursos relacionados à área agrícola. Assim, o número de acidentes, vítimas e danos ao patrimônio irá diminuir.

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Silos e armazéns são construções indispensáveis na hora do armazenamento de produtos agrícolas e podem influenciar na qualidade e preço. Os silos são muito perigosos e são fontes de acidentes graves de trabalho, por isso são considerados espaços confinados. Um dos maiores perigos são as explosões em locais que existem muita poeira acumulada.

Esse tipo de explosão pode ocorrer frequentemente em instalações agrícolas ou industriais onde são processadas farinhas, como de trigo, milho, soja ou cereais, e particulados, como açúcar, arroz, chá, cacau, couro, carvão, madeira e outros.

Um dos grãos mais perigosos e voláteis é o milho, apesar de toda poeira de grão possa ser considerada muito perigosa.  Na agricultura, também existem os espaços confinados móveis, que são tanques levados para o campo, onde armazenam agrotóxicos usados em lavouras, além dos caminhões-tanque transportadores de água ou combustível.

Quais são os riscos de explosões?

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Normalmente, indústrias que processam produtos alimentícios e unidades armazenadoras de grãos, apresentam alto risco de incêndios e explosões, já que o trabalho é basicamente receber os produtos, armazenar, transportar e descarregar. Ao descarregar, os produtos produzem uma enorme nuvem de poeira que possuem uma condição propícia a uma explosão.

Um incêndio pode ser causado pelo acúmulo de poeiras no local de trabalho, que podem estar depositadas em pisos, elevadores, túneis e transportadores. Isso pode acontecer quando uma superfície de poeiras de grão é aquecida até o ponto de liberação de gases de combustão e com o auxílio de uma fonte de ignição com energia, dá início ao incêndio.

Além disso, a decomposição de grãos acaba gerando vapores inflamáveis e se a umidade do grão for superior a 20%, poderá gerar metanol, propanol ou butanol. Gases metano e etano que são produzidos pela decomposição de grãos, também podem ser inflamáveis e gerar explosões.

Poeiras depositadas ao longo do tempo, quando agitadas ou colocadas em suspensão na presença de uma chama, tem grandes chances de explodir, causando vibrações subsequentes pela onda de choque. Assim, mais pó depositado no ambiente entrará em suspensão e mais explosões acontecerão, causando prejuízos irreversíveis ao patrimônio, além de colocar vidas em risco.

O ideal é que a concentração máxima de poeira de grãos no ambiente de trabalho seja de 4 g m-3 de ar. A faixa mais perigosa pode gerar explosões, variando entre 20 e 4.000 g m-3 de ar. Existem equipamentos que testam poeiras explosivas, com sensores diversos que permitem conhecer as características dessas poeiras.

Como diminuir o risco de explosão?

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Para diminuir o risco de explosões em silos, é preciso ter uma limpeza frequente no local e evitar fontes de ignição como solda e fumo. A manutenção dos equipamentos precisa ser frequente e é preciso instalar um sistema de aterramento. As peças girantes devem trabalhar sem pó, além de equipar elevadores, balanças e coletores de alívios contra pressões.

É importante saber que nunca se deve varrer o armazém e sempre usar aspirador de pó, além de sempre manter a umidade do local acima de 50%, já que ambientes secos são explosivos. Também é preciso ter cuidado com ventiladores e usar sistemas corta-fogo em dutos de transporte.

A ventilação do local precisa, sempre que possível ser exaustora, para proteger a saúde do trabalhador, já que ela capta os poluentes da fonte antes que se dispersem no ar e atinjam a zona de respiração do trabalhador.

É sempre bom lembrar que fumigantes e pesticidas são um risco habitual para trabalhadores de unidades armazenadores de grãos, já que possuem dissulfeto de carbono, dicloreto de etileno, fosfina e outros.

Acidentes em geral

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São vários tipos de acidentes comuns que podem acontecer em silos e armazéns. Em silos maiores, quando o operário entra sozinho e tenta andar sem o conto de segurança sobre a superfície dos grãos, aparentemente firmes, pode ser muito perigoso.

É muito importante que a pessoa que irá executar qualquer tarefa dentro de um silo seja treinada e orientada quanto aos riscos de acidente. É recomendado que o operário nunca entre sozinho, usar equipamento de descida, tenha permissão prévia do supervisor e sempre verificar se há gases e poeiras perigosas.

Sempre que necessário, usar aparelhos de comunicação para que seja transmitido orientações por alguém que esteja do lado de fora do silo. Em casos mais extremos, é recomendado utilizar um equipamento externo que forneça oxigênio através de uma ventilação forçada.

Conclusão

Produtos à base de soja, trigo, milho e outros grãos passam por diversos processos antes de chegar à mesa. Após a colheita, eles são passados por várias fases, como a pré-limpeza, retirada de impurezas, secagem e são submetidos a correntes de ar aquecido por geradores de calor, até serem transferidos para silos ou armazéns.

Durante a etapa de armazenamento, outras operações são realizadas para a conservação do produto, como a aeração para diminuir e uniformizar a temperatura dos grãos, feita em silos. Para executar esse trabalho, os operários precisam usar equipamentos de proteção individual e coletiva.

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Como trabalhar com segurança nos espaços confinados e evitar acidentes de consequências graves.

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Publicada no dia 27 de dezembro de 2006 no Diário Oficial da União, a Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego, sob número 202, do dia 22 do mesmo mês, oficializou a Norma Regulamentadora 33, que a cada dia ganha mais relevância.

A NR 33 tem como objetivo proteger os trabalhadores contra atmosferas tóxicas, explosivas e asfixiantes, bem como reduzir os perigos presentes nos depósitos e nos silos onde o grão, o pó e outros sólidos que, às vezes, sepultam trabalhadores por engolfamento. Enfim, a Norma está centrada nas atividades que representam perigo imediato para a saúde e para a segurança.

Sendo uma norma de observância obrigatória, é enfática quanto às atribuições e responsabilidades do empregador e dos empregados, característica que torna fácil a responsabilização no caso de ação fiscal ou de um acidente do trabalho.

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Dentre as exigências feitas ao empregador estão:
a) identificar os espaços confinados existentes na empresa;
b) implementar a gestão em segurança e saúde no trabalho por medidas técnicas de prevenção, administrativas, pessoais e de emergência e salvamento;
c) garantir a capacitação continuada dos trabalhadores;
d) Fornecer às empresas contratadas informações sobre os riscos existentes nas áreas onde desenvolverão suas atividades.

Algumas das responsabilidades que cabem aos empregados são:
a) colaborar com a Empresa no cumprimento da Norma;
b) utilizar adequadamente os meios e equipamentos fornecidos pela Empresa;
c) cumprir os procedimentos

A obediência às determinações da NR 33 e o uso de respiradores adequados são dois fatores essenciais para evitar acidentes de consequências graves nos espaços confinados.

Os trabalhos nos espaços confinados

São muito variados os espaços confinados. Entre eles estão taques combustíveis, tanques de caminhões de transporte de cargas perigosas, caldeiras, fornos, silos, túneis, vagões ferroviários etc. Os trabalhadores que entram nos espaços confinados desenvolvem geralmente trabalhos de inspeção, reparos ou substituição de peças,limpeza pintura, solda, corte, instalação de equipamentos como bombas, motores, transformadores, cabos elétricos e telefônicos em túneis etc.

Facilidade para respirar nos espaços confinados

O item 33.1.2 da NR 33 define da seguinte forma um espaço confinado: É qualquer área ou ambiente não projetado para a ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio.

Na verdade os espaços confinados em geral, não foram projetados para a ocupação humana contínua. Alguns foram desenvolvidos para armazenar cereais, abrigar instrumentos, proteger materiais e processos ou transportar produtos. Os acessos a tais ambientes, com frequência, são perigosos para os trabalhadores que efetuam tarefas de limpeza, manutenção, soldagens etc. pela possível existência de riscos ocasionados pela presença de atmosferas tóxicas ou pela deficiência de oxigênio.

O item 3 da NR 33 faz referência à Gestão de Segurança e Saúde dos trabalhos nos espaços confinados, com destaque para as medidas de Prevenção, Administrativas e Pessoais. O estabelecimento de um competente programa de proteção respiratória, dentro dessas medidas, pode ser considerado da mais elevada importância. Os equipamentos de proteção respiratória, se selecionados e utilizados de forma adequada, permitem que os trabalhadores autorizados desenvolvam suas atividades com segurança. Não havendo condições desfavoráveis, relativas ao teor de oxigênio, os respiradores purificadores de ar podem ser utilizados desde que os percentuais de possíveis contaminantes tóxicos sejam conhecidos e estejam sendo monitorados permanentemente. Do contrário, a segurança só pode ser estabelecida quanto ao uso de respiradores, com os chamados “de adução de ar”, aqueles que contam com uma fonte externa de fornecimento de ar respirável.

Uma vez determinado o respirador para proteger o trabalhador na realização de sua tarefa, torna-se necessária a constatação de que ele se ajuste bem à sua face. A existência de barba torna impossível a selagem necessária, razão pela qual não é permitido ao trabalhador usar barba se sua atividade exigir o uso rotineiro de respirador. Convém que haja ainda preocupação com o uso de outros EPIs que possam interferir na selagem do respirador.

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O controle dos riscos respiratórios 

As empresas em que os trabalhos nos espaços confinados são uma constante devem implantar medidas para eliminar ou controlar os riscos, ao estabelecer rígida observância ao seu plano de Análise Preliminar de Riscos. Entre os procedimentos para contenção ou eliminação dos riscos respiratórios incluem-se os voltados para um sistema de ventilação que promova a circulação contínua de ar, situação que certamente gerará condição segura de trabalho e que pode até dispensar o uso de respiradores.

Três condições, entretanto, devem ser observadas: que a atmosfera contenha o mínimo de oxigênio previsto em Norma; que não seja tóxica; que não contenha substâncias combustíveis ou níveis excessivos de monóxido de carbono.

Em que pese todo o esforço empregado na eliminação de possíveis contratempos, os conceitos contidos nas medidas de Prevenção e nas medidas Administrativas, nem sempre garantem a permanência de situações seguras, pois as condições atmosféricas nos espaços confinados podem mudar rapidamente, passando a exigir imediatas ações de resgate e salvamento de um ou mais trabalhadores.

Treinamento

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O treinamento é um componente chave de um programa de Proteção Respiratória. É de fundamental importância para a implantação de práticas seguras também para o desenvolvimento de trabalhos nos espaços confinados.

A revisão e a atualização servem para que os necessários ajustes sejam feitos, pois ocorrências indesejáveis devem redirecionar os procedimentos que não apresentam o resultado esperado.

A carga horária para a capacitação básica para Vigia e Trabalhadores, segundo a NR 33,é de no mínimo 16 horas dentro do horário de trabalho.

Periodicidade: a cada 12 meses.

Conteúdo:

– Definição;
– Reconhecimento, avaliação e controle dos riscos;
– Funcionamento de equipamentos utilizados;
– Procedimentos e utilização da PET;
– Noções de resgate e primeiros socorros.

A capacitação específica para supervisores é desenvolvida em 40 horas, dentro do horário de trabalho, e consiste do mesmo conteúdo do treinamento para o Vigia e Trabalhadores, acrescido de:

– Identificação dos espaços confinados;
– Critérios de indicação e uso de equipamentos para controle de riscos;
– Conhecimento sobre práticas seguras;
– Legislação de segurança e saúde no trabalho;
– Programa de proteção respiratória;
– Áreas Classificadas;
– Operações de salvamento.

 

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Espaços confinados são ambientes de trabalho com altos riscos para o trabalhador. E para garantir a segurança nos locais de trabalho, existem a NR 33 e a NRB 14.787.

Através dessas normas, é possível identificar os espaços confinados e assim fazer avaliações e controles de riscos para garantir a segurança dos trabalhadores que interajam direta ou indiretamente em espaços confinados.

É importante lembrar que após a NR 33 citar a NBR 14.787, é obrigatório que a NBR seja utilizada e observada. Além do mais, a NR tem força de lei por estar ligada a CLT, e uma vez citando a NBR 14.787, ela também passa a ter força de lei e ser obrigatória.

Quais são os tipos de Espaços Confinados?

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De acordo com a NR 33.1.2, Espaço Confinado é qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio.

Alguns exemplos de espaços confinados são: tanques combustíveis, tanques de caminhões, de água e esgoto, tubulações, galerias de rede de esgoto subterrâneas, silos, moegas, poços, cisternas, elevadores, reatores, chaminés e moinhos industriais, bases de torres de energia eólica e etc.

Quais são os ricos de trabalhar em Espaços Confinados?

São diversos riscos que um trabalhador corre ao estar em um espaço confinado. Dos mais comuns são a falta ou excesso de oxigênio, incêndio ou explosão, intoxicação por substâncias químicas, infecções por agentes biológicos, afogamentos, soterramentos, quedas, temperaturas extremas e choques elétricos. Todos esses riscos podem causar a morte ou doenças.

Para que os acidentes sejam minimizados, é importante que as empresas atendam as recomendações da NR 33 e NBR 14787, que definem as condições de segurança para espaço confinados.

Um dos principais cuidados seria a instalação de equipamentos de ventilação e exaustão, sinalização adequada e isolamento da área, uso de equipamentos de proteção individual e presença obrigatória de uma pessoa vigiando a execução do trabalho.

Podemos citar também os fatores psicossociais, como estresse, fobias e ansiedades, que podem alterar a percepção do trabalhador, levando-o a sofrer um acidente de trabalho.

Quais são os tipos de trabalhos em espaços confinados?

  •         Realização de limpeza em espaços confinados;
  •         Execução de manutenções ou reparos;
  •         Inspeção ou instalação de equipamentos;
  •         Construção de espaços confinados;
  •         Operação de salvamento e resgate de trabalhadores acidentados.

 Quais EPIs e EPCs são necessários em espaços confinados?

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A utilização de EPIs é indispensável na hora de trabalhar em espaços confinados, assim a vida dos profissionais que executam esse tipo de atividade de risco é preservada. Os equipamentos indicados são:

  •         Capacetes de segurança;
  •         Calçados de segurança;
  •         Máscara respiratória;
  •         Luvas de proteção;
  •         Óculos de proteção;
  •         Trava-quedas;
  •         Cinto tipo paraquedista;
  •         Protetor auricular.

É importante lembrar também de que o empregador deve fornecer todos os equipamentos obrigatórios para controle de risco gratuitamente, além de oferecer treinamento para o uso de cada um deles.

Os EPCs, ou Equimentos de Proteção Coletiva, necessários para proteção são:

  •         Lanternas Antiexplosão;
  •         Rádios comunicadores;
  •         Ventilador/insuflador de ar;
  •         Tripés/Monopés;
  •         Equipamentos de resgate;
  •         Cadeira para acesso sem escada;
  •         Cabos de aço;
  •         Detectores de gases;
  •         Explosímetros;
  •         Extintores de incêndio.

Quais são as medidas de proteção necessárias?

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Não basta somente usar equipamentos adequados para proteção. Também existem diversas medidas de proteção que devem ser seguidas para evitar acidentes em espaços confinados. Elas podem ser classificadas em Técnicas, Administrativas e Pessoais.

Medidas Técnicas:

É preciso antecipar, conhecer, avaliar e controlar os riscos nos Espaços Confinados. Não é permitida a entrada de pessoas não autorizadas em Espaços Confinados e é preciso monitorar a atmosfera antes e durante os trabalhos. Além disso, é importante utilizar equipamentos de medida direta, testados, com alarmes e protegidos contra interferências.

Medidas Administrativas:

É preciso manter o cadastro atualizado dos Espaços Confinados e seus riscos, além de definir medidas para isolar, sinalizar, controlar ou eliminar riscos. Implementar procedimentos de trabalhos e adaptar modelo de PET (Permissão de Entrada e Trabalho). Designar os trabalhadores que integrarão as equipes de operações em Espaços Confinados e capacitá-los e implementar o Programa de Proteção Respiratória.

Medidas Pessoais:

Fazer exames médicos específicos com emissão do ASO, capacitação de todos os envolvidos nos trabalhos, proibir trabalhos realizados individualmente ou isoladamente e fornecer todos os equipamentos e instrumentos de proteção previstos na PET são as medidas pessoais que são necessárias.

Conclusão

Se a NR 33 for seguida e respeitada, pode significar toda a diferença entre a vida e morte de trabalhadores, além de poupar o empregador de danos materiais e prejuízos financeiros. Todas as partes interessadas precisam ter consciência de que a Segurança e Saúde no Trabalho está ligada diretamente à qualidade de vida.

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Todo soldador sabe dos malefícios provenientes da profissão. Poucos, porém, podem explicar porquê dos perigos e como eles podem ser evitados.

Devido à necessidade e a importância que tem para os soldadores o conhecimento detalhado dos perigos aos quais estão expostos, este texto do Blog InfoSeg expõe, de forma direta e compreensível, o funcionamento dos pulmões e como os contaminantes emanados da poça de fusão podem lesioná-los.

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FUNCIONAMENTO DOS PULMÕES

Respiramos de forma permanente sem que prestemos atenção a este vital processo. Apenas num par de segundos inalamos e exalamos vários litros de ar. Em menos de um minuto respiramos aproximadamente dez a quinze vezes.

Temos dois pulmões, um de cada lado, na caixa torácica. Em conjunto, ocupam praticamente todo o espaço. Há aproximadamente 300 milhões de bolsas de ar nos dois pulmões, chamadas alvéolos.

Cada bolsa está envolvida por uma malha de vasos sanguíneos. Na medida em que nosso coração bombeia, os glóbulos vermelhos do sangue passam em fila indiana pelos vasos que envolvem os alvéolos pulmonares e absorvem o oxigênio do ar inspirado. Com uma só pulsação os glóbulos são transportados rapidamente ao coração e de lá para todo o corpo.

Quando o sangue volta aos pulmões, ele está empobrecido de oxigênio. Quando exalamos, expulsamos o dióxido de carbono. O intercâmbio de gases é produzido nos pulmões desde o nosso nascimento. Em cada respiração inalamos milhões de moléculas de oxigênio; a cada vez que exalamos expulsamos milhões de moléculas de dióxido de carbono.

O respirar é um fenômeno natural e automático, mas se converte em ação consciente se nossos pulmões têm alguma lesão. Afetados por uma doença grave, para nossos pulmões, respirar pode ser uma agonia.

A maioria dos órgãos vitais do nosso corpo está protegida das agressões provenientes do ambiente externo, mas nossos pulmões estão quase diretamente em contato com o ar ambiental. Algumas enfermidades resultam de fatores hereditários, mas a maioria das lesões decorre da inalação de agentes irritantes.

A EXPOSIÇÃO DOS PULMÕES AOS DIVERSOS PROCESSOS DE SOLDAGEM

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A maior parte das enfermidades dos pulmões é causada pelos contaminantes presentes no ar do ambiente de trabalho. Os soldadores estão expostos a um número de contaminantes químicos que podem contribuir para a ocorrência de bronquites, enfisema ou câncer de pulmão. O vício de fumar incrementa fortemente o perigo. Estudos comparativos entre soldadores que fumam com os que não fumam, mostram que os soldadores que adotam o hábito de fumar têm o dobro de lesões pulmonares. Em outras palavras: os efeitos são acumulativos.

Os contaminantes, sejam procedentes dos cigarros ou das emanações das soldagens, afetam os pulmões e estreitam a passagem do ar, dificultando a respiração. Lesionam inclusive as pequeninas células ciliadas que ajudam na expulsão de agentes irritantes. Com as defesas dos pulmões baixas, aumentam as possibilidades de infecção, bronquites crônicas, enfisema e até câncer de pulmão, como já afirmamos.

SOLDAGEM PRODUZ CONTAMINANTES QUÍMICOS  

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Muitos contaminantes químicos tóxicos são produzidos durante a soldagem. As emanações provenientes dos diversos processos de soldagem raramente contêm somente um contaminante. É difícil determinar um risco específico da exposição do soldador durante uma operação de soldagem em particular. Os produtos químicos tóxicos podem emanar tanto do arame quanto do revestimento do eletrodo; do material base; dos produtos de uma combustão incompleta; do ozônio ou do dióxido de nitrogênio; dos cortes de aço com eletrodos de grafite ao ar comprimido, etc.

Na realidade, há grande variedade de produtos químicos que produzem diversos transtornos físicos, desde inflamação das vias respiratórias até dores de cabeça.

MEDIDAS DE PROTEÇÃO

Para que os trabalhos dos soldadores sejam mais seguros, principalmente nos locais onde as soldagens são em maior volume, devem ser levados em consideração os seguintes cuidados:

Manter a concentração das emanações da soldagem fora da área respiratória do soldador;

Evitar que eventual ventilação conduza para o soldador os fumos provenientes da queima do material depositado;

Nunca permitir que soldadores trabalhem em locais fechados sem que a atmosfera  seja permanentemente avaliada. Nos espaços confinados, observar as orientações da Norma Regulamentadora 33;

Que sejam adotados equipamentos de proteção coletiva e individual adequados. Os dispositivos de proteção dos quais dispõem os soldadores não são frequentemente cem por cento efetivos para eliminar as emanações nocivas, mas reduzem de forma significativa os riscos aos quais estão expostos.

Avaliar os riscos existentes nas condições perigosas de trabalho, inclusive a verificação de possíveis equipamentos e cabos de energia com defeito.

Adotar sistema de exaustão eficaz.

Estabelecer adequado programa de proteção coletiva.

RECOMENDAÇÕES

  • No caso do soldador sentir qualquer irritação no nariz e/ou na garganta durante a soldagem, mesmo fazendo uso do respirador, deve suspender o trabalho, sair do ambiente e respirar ar fresco em área externa. Em seguida mandar verificar se o respirador tem algum defeito ou se é inadequado.
  • Sendo a operação de soldagem realizada em ambiente no qual  as emanações dos contaminantes alcancem concentrações consideráveis sem que haja condição da eliminação ou redução dos contaminantes, seja por exaustão ou ventilação, o soldador deve usar máscara de adução de ar com pressão positiva.
  • No caso de trabalho nos ambientes em que haja deficiência de oxigênio, usar o mesmo tipo de equipamento de adução de ar descrito anteriormente, com o auxílio de equipamento fornecedor de ar, pressão positiva, com cilindro para fuga.    

CONCLUSÃO

Apesar de todas as precauções que se tomem para reduzir os perigos das emanações das soldagens, é recomendável o exame físico anual minucioso do sistema respiratório do soldador.